quinta-feira, 7 de maio de 2009

"A causa das coisas" Miguel de Sousa Tavares

“O amor português não é fenómeno ternurento. É grave, como um crime. Os crimes passionais em que somos prodígios são pouco mais do que episódios de amor. Leopardi escreveu uma vez que há duas coisas belas no mundo: o Amor e a Morte. Para os portugueses essas coisas não são assim tão duas. Morrer de amor é mais frequente que amar até à morte. Alguns grandes poetas castelhanos, como Lope de Vega, pasmaram-se com esta confusão em que escolhemos andar. A felicidade jamais é chamada para o assunto. O amor, sempre misturado com a paixão, nunca se vê como um caminho para nada – quanto mais para a felicidade. Na melhor das hipóteses, consiste em ir adiando engraçadamente a desgraça. Todos esperam uma tragédia e ninguém se surpreende muito quando ela acontece (…).”

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